
Chega a hora de jantar...e com ela ..todos para a mesa...o meu pai ao ver-me com um sorriso nos lábios pergunta-me se gostei da história..não necessita de resposta...e entrega-me outra folha...espero que gostes...diz entao...
..."Sopra uma brisa ténue e leve. O vestdo cola-se-me ao corpo. Toque suave e doce. Carícia ténue que se sente, sem se pedir. Fico leve e corro, como criança, a sentir o acolchoado verde debaixo dos pés. As ervas húmidas e frescas. Exalam um aroma que see expande a cada passada corrida, onde se desfocam linhas e manchas. Um atordoado de cor e cheiro turva-me de alegria os olhos húmidos...e gosto de desfocar o momento próprio da vida. São o tempo, a natureza e eu , a passarmos. São a vida manifesta e sentida.
Sem cerimónia, aceito o convite intimista da árvore. A magia do duende, baixo-me...encosto a cara às pétalas das flores que do chão brotam e aqueles caules e folhas desordenados são como massagem revigorante. O odor espalhado pelo calcar dos pés na minha corrida intensifica-se. Impregna-me todo até lhe sentir o sabor. respiro fundo várias vezes, de forma involuntária e inconsciente, no desejo de preservar uma boa reserva de toda essa vitalidade tão genuinamente oferecida...
Depois...depois quero permanecer na história!...Seja "Alice", ou apenas aquela que quer imaginá-la, contá-la...e agradeço o que há em mim de crédulo nas árvores e duendes..nas histórias vividas e por viver...
Impregnados da magia das árvores, dos duendes, das primaveras,das histórias, sabem-se nestes momentos, coisas que não precisamos determinar e definir. Coisas profundamente íntimas e belas...(
como os sentimentos)
Endireito as costas. Gesto impulsivo e correctivo. gesto de energia reconhecida! É como se uma seiva bruta, captada pelo contacto dos meus pés nus na erva e na terra, ascenda e se aposse de mim num ascto de osmose.
Elabora-se essa seiva. Alimenta-se. Sempre.
Em contraste com a frescura de toda essa aquosidade interior, brotam-me algumas ondas mornas dos olhos. Salgadas, espraiam-se suaves do rosto..e regressam á terra, devolvendo a dádiva, agradecendo sem vergonha. Transbordar espontâneo, lvre, singelo, natural.
Não resisti ao "Era uma vez..." à Primavera, à história, à árvore, ao doende, ao "sempre" que cada um deles eterniza em si.
Ávida, agarro secretas promessas, secretas mensagens a desvendar no tempo...tempo das histórias!...e acredito...e, para que as histórias não se apaguem, querem vir comigo?..."