05 April 2006

Era uma vez uma história....


Hoje chega o meu pai a casa com um envelope na mão e um sorriso no rosto.
Dá-me um beijo terno e entrega-me aquele mistério. É uma história diz-me então. Achei que ias gostar!...e deixa-me sozinha no meu quarto...

" Está um céu azul, malhado de nuvens. A temperatura retoma o afago ameno. O sol já se faz sentir com algum fugor...e as árvores que vejo da minha janela vestem-se de acordo com o seu próprio tempo. Umas, ainda nuas, contrastam com a explosão contundente das imensas flores que parecem brotar todos os dias noutras ramagens. Suavizam-se algumas, progressivamente vestidas de um verde novo...
Queria falar-vos hoje, de uma árvore especial que todos os dias contemplo. É a árvore da minha história. No segredo do "era uma vez..." dei comigo há dias a olhá-la, gulosa, querendo absorver a força de toda a sua explosão. Estava pejada de flores brancas, efervescentes, luminosas, apelativas. Agora assume um aspecto mais repousado. Vejo-a espraiar-se gradualmente, como se espreguiçasse sem pudor e repousasse em seguida, relaxada, para se alongar cada dia mais um pouco, numa tentativa de abraço cada vez mas abrangente.
Sob ela, o chão, impregnado de ervas pujantes, espelha gradualmente uma sombra ainda ténue que cada dia se vai tornando mais nítida, apelativa, apaziguadora. Quase isolada, num dos muitos quintais de cidade a aguardar o destino, dá guarida a um duende esquivo e simpático, meu amigo e amigo também de quem ainda gosta de árvores e de histórias e de segredos, guardados na contemplação e na alma.
Mansa, nesse vestir-se de verde, faz-me apelos em susurro. Visto então o meu vestido de algodão sem mangas, largo e solto. O que guardo todos os anos para esta ocasião. E entro em histórias por contar. Invento uma "Alice" sem coelho que escuta duendes e mais aqueles a quem os duendes falam de vez em quando."

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1 comment:

Anonymous said...

Gostei muito da história!
É pena é eu não ter um vestido de algodão sem mangas, largo e solto. Mas acho que tenho algo que se assemelhe, ando sempre num mundo imaginário, e, por isso, sou assim